Um novo horizonte
se abre para o RS
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Uma
nova cadeia produtiva está em plena consolidação no Rio Grande do Sul.
De alto valor agregado, a cadeia do Polo Naval vem transformando,
radicalmente, o cenário de estagnação da Metade Sul, a partir de
investimentos públicos e privados superiores a US$ 26 bilhões.
Ao mesmo tempo em que oferece inúmeras
oportunidades de negócios, a promissora indústria oceânica impõe grandes
desafios aos gaúchos. A inserção na nova cadeia exige a superação de
gargalos tecnológicos por parte das empresas e formação especializada
dos trabalhadores.
O relatório final da Subcomissão do Polo Naval de
Rio Grande, elaborado pelo deputado Alexandre Lindenmeyer, apresenta
recomendações para aumentar a participação das indústrias gaúchas na
cadeia de fornecedores do Polo e da Petrobras, garantindo que todas as
regiões se integrem ao novo ciclo de desenvolvimento que se desenha a
partir da Metade Sul.
Além disso, o documento propõe série ações para
assegurar que o crescimento econômico seja acompanhado da elevação da
qualidade de vida, distribuição de renda e preservação ambiental.
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A recuperação da
indústria naval brasileira
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"Tudo que pode ser feito no Brasil,
tem que ser feito no Brasil"
Lula na campanha eleitoral 2002
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Nos anos 70, a indústria naval brasileira chegou a
ser a segunda maior do mundo. Nas décadas seguintes, no entanto, a
atividade despencou. Em 2002, ocupava apenas 1900 trabalhadores em todo o
País.
A partir do primeiro governo Lula, o setor ganhou
um sopro de vida com a criação do Programa de Mobilização da Indústria
Nacional de Petróleo e Gás Natural, cujo principal propósito foi colocar
em prática o compromisso assumido por Lula na campanha: recuperar o
setor naval e impulsionar a cadeia produtiva em bases competitivas e
sustentáveis.
Na mesma época, a Petrobras confirmou a existência
de jazidas de petróleo na camada do pré-sal localizada em águas
territoriais brasileiras. A empresa estima um volume que pode chegar a
16 bilhões de barris de petróleo e gás só nas bacias de Santos e Campos,
o suficiente para o Brasil dobrar suas reservas.
O desafio na extração deste volume levou a estatal a
investir maciçamente na construção de novas plataformas, navios e
embarcações. O porto de Rio Grande, que já era o segundo maior do Brasil
em movimento de cargas, virou referência como polo naval a partir da
montagem da plataforma P-53.
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Investimentos chegarão
a
US$ 26 bilhões |
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De
cidade portuária, Rio Grande passou à condição de um polo naval
imprescindível para a Petrobrás. Com isso, centenas de novas empresas se
instalaram na região, movimentando a economia local e gerando empregos.
Investimentos realizados pelos sete últimos governos
Investimentos em andamento
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Construção de oito cascos pela empresa Ecovix em Rio Grande.
Investimento de US$ 4 bilhões
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Construção de três plataformas pela empresa Quip.
Investimento de US$ 7 bilhões
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Prolongamento dos molhes da barra em Rio Grande e São José do Norte.
Investimento de R$ 512 milhões
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Aumento do calado do canal do porto de Rio Grande.
Investimento de R$ 196 milhões
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Reconstrução de um quilômetro do cais do Porto Novo.
Investimento de R$ 133 milhões
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Duplicação da BR-392.
Investimento de R$ 280 milhões
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Terminal da Bunge.
Investimento de R$ 160 milhões
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Investimentos previstos
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Construção pelo Grupo
Wilson Sons de um estaleiro em Rio Grande, ainda em 2011, para a
construção de pequenas plataformas e médias embarcações.
Investimento de R$ 180 milhões e geração de 1200 empregos diretos
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Investimento de US$ 420 milhões em São José do Norte
. O empreendimento da Estaleiros do Brasil deverá gerar 6 mil postos de trabalho direto e de 15 mil empregos indiretos.
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Novas demandas |
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Estudo
da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) indica que o número de
empregos gerados em função do Polo de Rio Grande superará a marca de
200 mil até 2014. A maior parte deles será decorrente do efeito-renda,
ou seja, do consumo das famílias dos trabalhadores que fazem parte da
cadeia produtiva da indústria naval.
O mesmo estudo estima que a construção de cascos e a
montagem de plataformas irão movimentar
US$ 26 bilhões
e gerar
760 mil empregos
diretos e indiretos no RS até 2024.
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O crescimento acelerado vem acompanhado do aumento
da demanda nas mais diversas áreas. O relatório da Subcomissão da
Assembleia Legislativa recomenda uma série de ações para enfrentar os
problemas gerados pelo novo ciclo de desenvolvimento.
Principais recomendações:
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Busca de novos investimentos na área habitacional
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Implantação do terminal de gás natural liquefeito
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Continuidade do projeto de trem de passageiros para ligar os municípios de Capão do Leão, Pelotas e Rio Grande
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Recuperação da BR-101
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Término da duplicação da BR-392
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Construção do aeroporto regional
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Redução das tarifas de pedágio
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Melhoria do atendimento na travessia do canal entre Rio Grande e São José
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Construção de uma ponte ligando os dois municípios sem cobrança de pedágio
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Recuperação da BR-101
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Revisão da estrutura do Poder Judiciário na Região Sul. Transformação da Comarca de Rio Grande em entrância final
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Criação de um fórum específico com a participação de todos os órgãos e
secretaria de governo, visando à racionalidade e à transversalidade na
implantação das políticas que envolvam o Polo Naval
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Com o Polo Naval, aumentam as oportunidades na educação |
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Só
nos últimos dois anos, a FURG contratou mais 200 professores e criou
três novos cursos de Engenharia - Engenharia de Automação, Engenharia
de Mecânica Naval e Engenharia Costeira Portuária - para dar conta da
demanda gerada pela indústria naval. Líder em pesquisa em inovação
voltada à atividades ligadas ao mar, a universidade oferece 24 cursos
de graduação em áreas tecnológicas, 17 de mestrado e oito de doutorado.
Cursos gratuitos e bolsas para desempregados
O Plano Nacional de Qualificação Profissional do
Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás
Natural), que tem o propósito de capacitar profissionais para o setor,
deverá oferecer cerca 6700 vagas para o Rio Grande do Sul até 2014.
Além dos cursos serem gratuitos, são oferecidas bolsas de R$ 300,00 a
R$ 900,00 para alunos desempregados.
O programa envolve 80 instituições de ensino em
todo o País e movimenta R$ 200 milhões por ano. Até 2010, o Prominp
atendeu 78 mil trabalhadores em 15 estados. Conforme o Ministério do
Trabalho, 81% dos profissionais qualificados pelo programa estão
integrados ao mercado formal.
Ampliação do ensino técnico e profissional
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e
Emprego (Pronatec) expandirá a oferta de cursos técnicos e profissionais
de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada em todo o
Brasil. Estão previstas a instalação de mais 600 escolas nos próximos
quatro anos.
Além disso, a Escola Técnica Aberta do Brasil (E-TEC)
está sendo ampliada para atender mais 17 mil estudantes ainda neste ano.
Por intermédio do programa, será acelerado o acordo firmado pelo
governo com o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac) para a aplicação de
dois terços dos recursos advindos do imposto sobre a folha de
pagamento do trabalhador na oferta de cursos gratuitos. Dessa forma, as
escolas dos Sistema S ofertarão cursos de formação inicial e continuada
para os favorecidos pelo seguro desemprego e pelos programas de
inclusão produtiva, como o Bolsa Família.
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O esforço para a inserção
das empresas
gaúchas
na nova cadeia produtiva |
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O
Polo Naval de Rio Grande abriu enormes oportunidades de expansão, não
apenas para os municípios da Metade Sul, mas para todo o estado. Hoje,
das cinco mil empresas fornecedoras de insumos do polo, pouco mais de
100 são do Rio Grande do Sul. O mesmo ocorre na cadeia dos fornecedores
da Petrobras. No máximo, 3% dos produtos e serviços utilizados pela
estatal provêm de empresas gaúchas.
A indústria metal-mecânica, por exemplo, pode aproveitar a porta
aberta pelo Polo Naval para ingressar em novos mercados. Até 2014, a
Petrobras deverá investir US$ 224 bilhões, quase o triplo do que a
Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) pretende aplicar
no mesmo período. Além disso, a estatal tem dado preferência aos
fornecedores nacionais, superando a escala exigida pelos atuais
contratos de concessão.
Um dos principais desafios do governo Tarso é garantir ao Rio Grande
do Sul o seu quinhão na exploração do pré-sal. Nos primeiros meses de
governo, criou diversos instrumentos para enfrentar o déficit
tecnológico das empresas, principal obstáculo à inserção na nova cadeia
produtiva.
Parque Científico e Tecnológico do Mar
O Parque Tecnológico do Mar, cujo projeto já foi finalizado, irá
atrair empresas focadas no desenvolvimento de tecnologias voltadas à
construção de embarcações e plataformas ambientalmente sustentáveis; no
desenvolvimento de tecnologias associadas à construção de estruturas
(arquitetura e engenharia) para exploração petrolífera; no
desenvolvimento de equipamentos, tecnologias e estruturas destinadas à
exploração energética de ondas, marés e correntes marinhas; no
desenvolvimento de soluções logísticas e no desenvolvimento de
fármacos, bioenergia e suplementos alimentares.
Governo muda Fundopem
para incentivar inovação e pesquisa
Em abril deste ano, o governo do Estado alterou a legislação do Fundo
Operação Empresa (Fundopem) para incentivar a cadeia do Polo Naval e
melhorar os indicadores socioeconômicos da Metade Sul.
Empresas da Metade Sul
Empresas da região que se dedicam à pesquisa poderão financiar
até 100% do investimento fixo (ICMS incremental devido) e 100% das
despesas com salários por 24 meses.
Empresas de outras regiões ligadas ao Polo Naval
Já para a implantação de centros de pesquisa em outras regiões
do estado, o financiamento poderá chegar a 75% do ICMS, desde que
estejam integrados à cadeias produtivas consideradas estratégicas, como o
caso do Polo Naval. Também poderão financiar por dois anos as despesas
com pessoal.
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